29 de abr de 2015

Petrobras: Conselho de Administração

Um contador-professor ou professor-contador no Conselho de Administração da Petrobras: o professor Nelson Carvalho, da FEA/USP


A União decidiu alterar os nomes de três dos sete membros que tem direito a indicar para a Conselho de Administração da Petrobras. Entraram na lista Luis Nelson Guedes de Carvalho, professor da USP especializado em contabilidade e auditoria; Segen Estefen, da COPPE/UFRJ; e Roberto da Cunha Castello Branco, ex-diretor Financeiro da Vale e hoje na Fundação Getulio Vargas (FGV). Eles vão entrar no lugar de Sergio Quintella, da FGV, do general Francisco Albuquerque e de Ivan Monteiro, diretor Financeiro da Petrobras.

Os nomes indicados pela União foram aprovados na Assembleia por 66,3% dos acionistas da companhia. Votaram contra os nomes 5,04% dos acionistas. O índice de abstenção foi de 28,62%. Os conselheiros têm mandato de um ano.

Além disso, a União manteve os nomes que já haviam sido indicados anteriormente, como Murilo Ferreira, presidente da Vale, e candidato à presidente do Conselho de Administração da Petrobras; Luciano Coutinho, presidente do BNDES; Aldemir Bendine, presidente da Petrobras; e Luis Navarro, da Veiranos Advogados.

Texto de Ramona Ordonez e Bruno Rosa – O Globo – 29/04/2015

6 de abr de 2015

Além da superfície

 Para ir além da superfície da vida e das coisas: 

"Digitar é diferente de escrever;
falar é diferente de se comunicar;
ver é diferente de enxergar;
ouvir é diferente de escutar.

Debater é diferente de brigar;
defender é diferente de endossar;
curtir é diferente de apoiar;
compartilhar é diferente de agir.

São diferenças fundamentais 
entre um ser humano e ser humano." 

(Pablo Villaça)

4 de abr de 2015

Morte e vida severina, vida e morte contabilina

Reproduzimos a seguir o texto Morte e vida severina, vida e morte contabilina, do Prof. Eliseu Martins, publicado na Revista Capital Aberto (13/03/2015). O texto fala do papel da moeda na relevância da informação contábil. Esse texto me fez voltar a 2011 para as aulas de Teorias do Lucro e da Avaliação Patrimonial com o inesquecível prof. Eliseu. Vale a pena a leitura.


Relembrando Severino em João Cabral de Melo Neto, 60 anos depois, e forçando a barra - não tão pouco, concordo -, faço uma constatação épica também: a força da criação da contabilidade e provavelmente de sua morte. Que força é essa? Que razão é essa? 
A contabilidade nasceu quando a capacidade do ser humano conseguiu criar um denominador comum para todos os bens econômicos e dívidas: a moeda. Da criação da moeda física de prata, ouro, concha ou o que for à abstrata, virtual, conseguiu-se algo absolutamente inacreditável e impensável: ser capaz de somar tijolos com direitos a receber, com intangíveis, com caixa, com despesas pagas antecipadamente, com participações societárias, com depreciação (contida no custo dos estoques manufaturados), etc. E dessa soma nonsense ainda se consegue deduzir o que se deve e obter-se um saldo com nome atribuído: patrimônio líquido. 
Que saldo é esse? Você já parou para pensar no que ele significa? O que uma Petrobras - já que ninguém fala nela ultimamente… - tem no lado do ativo do seu balanço é, na verdade, um conjunto enorme de equipamentos, navios, prédios, patentes, tecnologia, direitos, etc. que, no fundo, são coisas que absolutamente não se somam. Mas a moeda permite que tudo seja convertido nesse denominador comum e, após isso, somado, utilizado para subtrações (cuidado com o duplo sentido) de dívidas etc. Parece um milagre! 
Sem a moeda não há, absolutamente, contabilidade. Ela é o milagre que permite as demonstrações contábeis. É claro que a moeda pode ser o real, o dólar, o ouro, a UFIR, uma arroba de carne, um barril de petróleo, uma cesta de moedas, um sanduíche bauru etc. Ou seja, pode ser, com o uso da nossa capacidade criativa e abstrativa, uma moeda de curso legal ou qualquer outro denominador que tenha essa capacidade de servir para transformar tangíveis e intangíveis num único padrão somável e subtraível. 
Mas, se a existência de uma moeda parece ser a salvação da contabilidade, a existência de várias provoca situações aparentemente esdrúxulas. Quem investiu 1 milhão de libras esterlinas num imóvel londrino, gastando R$ 3 milhões, e o vende depois por 900 mil libras com a libra a R$ 4, terá tido a sensação de ganho, um lucro de R$ 600 mil reais, se trouxer o dinheiro para o Brasil e continuar a viver aqui normalmente. Se tiver vendido o imóvel pelas 900 mil libras por um aperto financeiro, porém mantendo residência só em Londres, sentirá uma perda: prejuízo de 100 mil libras esterlinas. Qual é a verdade? Lucro ou prejuízo? E qual a visão de um americano, que pensa e age somente em dólar, querendo avaliar o desempenho desses investidores? Como decidir para quem emprestar ou em quem investir? 
A criação da moeda permitiu a contabilidade. Mas as contabilidades em libra, em real ou em dólar colocam dúvida sobre qual é a “verdadeira”. E a dúvida é atroz a ponto de fazer perder credibilidade. 
E se uma empresa no Brasil, vivendo seus sócios só aqui, tiver investido R$ 1 milhão há um ano e ganhado, em renda fixa, o valor bruto de R$ 100 mil, pagando 34% de tributos sobre o lucro? Terá tido lucro ou prejuízo, considerando 7% de inflação nesse período? A contabilidade nossa, formal, legal, normatizada, internacionalizada, dirá que terá havido um lucro de R$ 66 mil. Mas a lógica econômica dirá que não só não terá havido lucro como um pedaço do capital original terá sido perdido. Afinal, deveriam existir R$ 1.070.000 agora para comprar, na média, o que R$ 1 milhão comprava um ano — ou 7% de inflação — atrás. E, no entanto, só existem R$ 1.066.000 hoje. A inflação matou a verdade contábil e o que a demonstração contábil diz ser lucro é, na verdade, prejuízo. Isso sem considerar o custo de oportunidade do dinheiro aplicado. 
Noutro exemplo, alguém tomou R$ 10 milhões do BNDES a 5% ao ano e investiu num terreno que tenha se valorizado 10% e acaba de ser vendido, sob os mesmos 7% de inflação. O resultado mostrará lucro ou prejuízo? Esqueçamos os tributos sobre o resultado. Sabidamente mostrará um lucro de R$ 1 milhão na venda do terreno, e despesas de juros de R$ 500 mil, com o lucro de R$ 500 mil. Ganho no ativo e despesa por causa do passivo. Ou deveria mostrar um lucro na venda do terreno só de R$ 300 mil, considerando a inflação (R$ 11 milhões de venda menos o custo corrigido de R$ 10.700.000), e um ganho na dívida de R$ 200 mil porque pagou-se R$ 10.500.000 ao banco ao final quando o empréstimo original corrigido pela inflação seria R$ 10.700.000? Pagou-se menos do que se recebeu ou não? Em outras palavras, o lucro é formado de um grande ganho no imóvel e uma despesa de juro ou de um módico ganho no imóvel e um lucro por conta do financiamento privilegiado? 
A moeda nominal, desconsiderando olimpicamente os efeitos da inflação, é um início da morte da credibilidade da informação contábil. Poderíamos continuar a filosofar sobre contabilidade e moeda. No entanto, parece muito clara a conclusão: a moeda é a vida da contabilidade, mas pode significar sua morte também se não tivermos um desenvolvimento conceitual à altura de sua definição e de seu significado para fins contábeis.

Congresso USP 2015

Divulgadas as listas dos trabalhos aprovados para apresentação no XV Congresso USP de Controladoria e Contabilidade e no XII Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade, além dos Working Papers que também serão debatidos no Congresso.
Para quem deseja saber desde já quais os temas dos artigos apresentados, seguem os links:

A autora deste blog teve um trabalho aprovado para apresentação no XV Congresso USP de Controladoria e Contabilidade em parceria com  os colegas Guilherme Otavio Monteiro Guimaraes e Marcelo Álvaro da Silva Macedo, do PPGCC/UFRJ. O título do trabalho aprovado é "Análise da Alíquota Efetiva de Tributos Sobre o Lucro no Brasil: Um Estudo com foco na ETRt e na ETRc".

Nos vemos no Congresso USP 2015!

1 de abr de 2015

XXIX ENECIC

O XXIX ENECIC - Encontro Nacional dos Estudantes de Ciências Contábeis 

Quando: 18 a 23 de agosto de 2015

Onde: Cidade do Rio de Janeiro

Tema: Ciências Contábeis: Como impulsionar o crescimento do país?

O ENECIC é o fórum máximo de discussão dos estudantes de Ciências Contábeis do Brasil. Em 28 edições tem sido palco de debates sobre os mais importantes temas relativos não só à qualidade da formação universitária, mas também às questões profissionais, a universidade, mercado e a sociedade como um todo.

O XXIX ENECIC pretende ser uma oportunidade de discutir sobre a convergência as normas internacionais de contabilidade, bem como, o papel social que o profissional da contabilidade pode assumir na sociedade. Pretende discutir também como e de que forma, os profissionais de contabilidade podem contribuir com a diminuição da miséria, da fome, a garantia da igualdade entre os sexos, redução da mortalidade infantil, crescimento do país e desenvolvimento da sociedade.

PRÊMIO ENECIC:
Como parte das atividades do XXIX ENECIC, está aberto o período de submissão de trabalhos acadêmicos ao XXIX Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Contábeis. 

O edital de submissão está disponível neste link!

De acordo com o edital, os melhores trabalhos apresentados no ENECIC serão premiados: 
1º lugar: R$ 2.500,00. 2º lugar: R$ 1.500,00; 3º lugar: R$ 1.000,00.

As submissões estão abertas até o dia 30/04/2015.

Página do ENECIC Rio no Facebook: ENECIC Rio
“... nunca [...] plenamente maduro, nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” (Gilberto Freire)